quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Achados de gaveta

- Hoje não bem, tô com dor de cabeça...
Dizia a mocinha do casal sadomasô.

E olha que doía mesmo. Falo assim porque ela chegou a questionar até onde seria estímulo o que para ela era estímulo. Afinal, que credibilidade teria nosso caráter sobre outras pessoas em fins de nos julgar? A não ser em momentos de privacidade nula, nunca havia se recordado de definir, espontaneamente - lembremos da privacidade -, o próprio caráter. Sabia que gostava da dor. Achava que sim. De qualquer forma, o quente da noite não foi de nada quente e, com certeza, ela preferia uns tapinhas. Há quem preferisse o contrário, é claro. "Cada louco com a sua mania" - pensava.

Loba em pele de ovelha, a cabeça lhe alienava da reação do "bem", que a essa hora já roncava - puto. Poderia sonhar bravo? Quem sabe, no sono, a privacidade se equiparasse ao momento em que se encontrava agora que ele dormia: só; ou mesmo superasse, trazendo surpresas surreais que captaríamos exclusivamente com a ausência dos nossos próprios olhares - privacidade absoluta: sonhos. Mas então, que relevância haveria em sentir?(Obviamente, não nos deixamos tão sozinhos assim, nem dormindo!). Sem manifestação, o sentimento não tem sentido: Narciso implodiu.

Isso na cabeça dela; cheia de dor.